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No trabalho
Na mesa do escritório, o computador brilha como se nada tivesse acontecido antes das oito da manhã. Luana abre a caixa de e-mails, responde demandas, organiza planilhas. O corpo, porém, ainda está no ônibus, no carro, no ponto escuro.
Em uma reunião, um colega faz uma “brincadeira” sobre o trajeto dela: “Mulher bonita assim tem que tomar cuidado, mas também não pode reclamar da atenção, né?”. Alguns riem, outros olham para a mesa. Ela silencia.
Lembra de como o urbanismo sensível ao gênero fala das violências que atravessam não só as ruas, mas também os espaços de trabalho – piadas, descrédito, desconfiança permanente.
No fim do dia, duas possibilidades se desenham:
