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Ligação fingida
Luana coloca o celular no viva-voz e finge uma ligação: “Oi, mãe, já estou no carro, tá? Chego aí em uns quinze minutos. O motorista já sabe que você está me esperando no portão”.
O motorista ajeita o retrovisor, volta os olhos para a rua. A conversa inventada vira uma espécie de protocolo de segurança particular, repetido por tantas outras mulheres que aparecem nas pesquisas sobre medo e deslocamento.
Quando chega ao destino, Luana pensa se deve registrar o incômodo em algum lugar oficial ou apenas seguir o dia. Sabe que, estatisticamente, poucas mulheres procuram a polícia depois de situações assim.
No portão do prédio, duas rotas surgem:
