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O aplicativo
Luana abre o aplicativo no portão de casa. O preço está mais alto que o normal, mas ela pensa que talvez valha a sensação de segurança. O carro mais próximo chega em oito minutos.
Enquanto espera, lembra das reportagens sobre estratégias que as mulheres usam para tentar se proteger. Segurança condicionada à criatividade do medo.
O carro para na frente da casa. Ela confere se a placa bate com a tela, olha a foto do motorista, respira fundo e entra. O cheiro de desinfetante e a rádio ligada em notícias quase mascaram o incômodo de estar sozinha com um desconhecido em um carro trancado.
O motorista tenta puxar conversa. Começa com o clássico “trabalha onde?”, depois “mora só?”, depois “tá solteira?”. Luana responde por monossílabos, desconfortável. Ele insiste, ri do próprio comentário, desvia o olhar da rua para encará-la pelo retrovisor.
O desconforto cresce. Ela pensa em duas formas de reagir:
