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O dia começa antes da luz

O despertador toca antes das cinco. Luana abre os olhos no escuro e, por alguns segundos, tenta lembrar se é sábado. Não é. O corpo sabe: é mais um dia em que a cidade começa antes do sol.

Ela se levanta em silêncio para não acordar a mãe. Na cozinha, o barulho do filtro de café se mistura ao noticiário baixo na TV: mais uma matéria sobre violência contra mulheres nos deslocamentos urbanos. Luana não precisa prestar muita atenção. Ela sabe de cor o roteiro e sente isso nos próprios passos.

Enquanto amarra o tênis, pensa no tempo que vai levar até o ponto de ônibus. O caminho é sempre o mesmo, mas nunca é igual. Às vezes a rua está vazia demais. Às vezes, cheia demais. A pesquisa sobre a vulnerabilidade das mulheres nos percursos cotidianos poderia estar falando exatamente dela.

No portão, respira fundo. O céu ainda é um azul quase preto. O bairro parece suspenso, mas o medo já está acordado.

Hoje, ela precisa chegar mais cedo ao trabalho. Tem duas opções: