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O ônibus vazio
O ponto de ônibus ainda está meio apagado. Um poste de luz falhando, um cachorro revirando o lixo, uma moto que passa devagar demais. Luana olha para o relógio e para o fim da rua, tentando adivinhar os faróis do próximo coletivo.
Quando o ônibus finalmente chega, quase não há passageiros. Ela lembra das estatísticas sobre como as mulheres se sentem mais inseguras à noite, especialmente a pé ou em ônibus quase vazios. Ainda assim, sobe.
O motorista mal olha para ela. Lá dentro, dois homens espalhados lá atrás, uma mulher cochilando perto da janela. Luana escolhe um assento no meio, calculando a distância entre a porta e as pessoas. Pensa em como cada escolha de lugar é, no fundo, uma estratégia de sobrevivência.
Algumas paradas depois, a mulher desce. Agora, só os dois homens e ela. Um deles se ajeita no banco, vira o corpo e fixa o olhar. O ônibus segue, cada vez mais silencioso.
Luana sente o corpo endurecer. Ela sabe que pode tentar se proteger de dois modos:
