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Confronto

Luana sustenta o olhar. Em vez de se encolher, ergue os ombros e encara de volta. O homem ri, faz um comentário baixo que ela não entende, mas o tom é conhecido. O motorista nada vê ou finge não ver.

Ela pensa na infinidade de histórias em que a responsabilidade recai sobre as mulheres – “por que não reagiu?”, “por que reagiu?”. Na memória, ressoa a matéria que dizia que muitas vítimas não procuram ajuda formal e lidam sozinhas com a violência.

O ônibus para de repente. Em um impulso, Luana puxa a cordinha e desce antes do ponto. Na calçada, as pernas tremem. Ela pode: